DÚVIDAS

Reuni aqui alguns questionamentos que costumam ser freqüentes entre os médiuns que iniciam sua caminhada na seara umbandista, espero poder, se alguma forma auxiliar sua caminhada.

1 – Todos médiuns incorporam da mesma forma?

R-Não, cada médium é único e tem sua forma particular de realizar a incorporação, alguns movimentam mais os braços, outros mais as pernas ou o tronco, alguns são mais agitados, outros mais suaves. Dificilmente encontraremos em um terreiro, dois médiuns que apresentem as mesmas características.

2- É errado lembrar-se do que ocorreu durante a incorporação?

R-Não, pois o médium pode permanecer ciente do que acontece ao seu redor, apenas não deve interferir de forma alguma, mantendo-se em profunda concentração durante os trabalhos da entidade. È errado impor ao médium que ele não deva “ver nada” pois tal imposição pode levar médiuns iniciantes a desacreditarem até mesmo da existência da incorporação. O fato de recordar-se ou não do que ocorreu, não torna o médium mais ou menos apto a trabalhar na corrente.

3- Todas as entidades que se apresentem sob determinada falange devem ter as mesmas preferências?

R- Não, pois muitas vezes as entidades pertencentes a mesma falange tem preferências diferentes, por exemplo dentro da falange de preto-velho alguns gostam de café, outros de vinho outros ainda preferem comer peixe ao invés da tradicional feijoada. Levando-se em consideração que os falangeiros já tiveram existência corporal, seria impossível implantar padrões para tais preferências.

4- Umbanda tem iniciação ?

R- Nas casas tradicionais de Umbanda não se faz a chamada iniciação africanizada, faz-se apenas um breve resguardo ritual durante certas obrigações para que o médium possa manter sua mente em contato mais efetivo com suas entidades, sem interferências externas.

5- Candomblé é igual a Umbanda?

R- Não, apesar de alguns rituais e entidades serem semelhantes, a princiapl diferença está no fato de que no Candomblé, as entidades (Orixás) não se comunicam diretamente com os médiuns ou com a assistência, como ocorre na Umbana. Eles não tem linguajar compreensível e para saber sobre eles e seus designíos é necessário consulta aos buzios. Já na Umbanda está comunicação é direta, uma vez que os falangeiros utilizam o corpo do médium para a comunicação.

6- Existem mais de uma forma de mediunidade?

R- Sim, existem a mediunidade inconsciente, a semi-consciente e a consciente. Respectivamente o teor de participação do médium na incorporação varia em função de cada uma delas. Sendo que, todas são aceitáveis para a realização dos trabalhos uma vez que haja seriedade por parte do médium na realização dos mesmos.

7- Seria a mediunidade um prêmio ou um castigo?

R- Algumas pessoas acham-se premiadas com o fato. Outras já pensam que é um pesado fardo a ser carregado. Na realidade, não é nem um prêmio, nem um castigo, é um resgate da dívida que temos para com os nossos semelhantes, divida esta adquirida ao longo de sucessivas reencarnações. A mediunidade é um compromisso de resgatá-la e esse compromisso foi assumido por nós antes de encarnarmos. Podemos ou não assuimi-lo depois de encarnados, para isso somos dotados de livre-arbítrio. É minha opinião pessoal que jamais um médium deve procurar uma casa para iniciar seu desenvolvimento sem antes pensar muito bem nas consequencias e de saber realmente se está se iniciando por livre vontade. Nos trabalhos umbandistas prima-se pelo amor e pela boa vontade e não se pode fazê-lo a contento estando na casa por obrigação e não por vocação.

8 - Quais são os fatores principais que podem levar um médium a perder sua força mediúnica?

R- A vaidade excessiva - muitos médiuns incorrem na vaidade por acharem-se grandiosos em função dos feitos de suas entidades, buscando para si louvores que não lhes pertencem, pois somos apenas instrumentos, fazndo desta forma com que seus guias começem a afastar-se.
- A ambição pelo dinheiro fácil - exaltado pelo interesse que o médium identifica nos consulentes em lhe trazer agrados e presentes este passa a fazer solicitações materiais descabidas, enfraquecendo assim sua ligação com as correntes que praticam a caridade.
- O desinteresse por sua evolução pessoal - não basta comparecer a sessão, fazer os trabalhos mas é necessário também buscar o aprimoramento pessoal buscando prataicar aquilo que prega e melhorar a sintonia com seus mentores de luz.

9 - Umbandistas são idólatras?

R - Não, de forma alguma.Idolatria é acreditar que Deus está dentro de uma estátua ou imagem e desta forma, prestar culto e adoração à estátua.Qualquer umbandista principiante sabe que este NÂO É, ABSOLUTAMENTE O NOSSO CASO.As imagens que utilizamos em nossos congas são apenas representações, símbolos visuais que utilizamos para auxiliar a focalizar a mente e o espírito naquilo que para nós é sagrado.Portanto, na Umbanda, não existe idolatria. Nós não adoramos as imagens, mas sim, aquilo que elas representam. E fazer representações ou símbolos do divino não tem nada de errado.No livro do Êxodo vemos “O Senhor”, ensinando a Moisés como deveria ser o “Santo dos Santos”, a representação de Deus para os judeus. Este interessante altar era composto de uma arca, um propiciatório (espécie de adorno para a arca), uma mesa e um candelabro de sete velas.A Arca da Aliança se encontra descrita em Êxodo (25:10 e 11): “E façam uma arca de madeira de Acácia... E a cobrirás de ouro puro, por dentro e por fora...”O Propiciatório: “E farás um propiciatório de ouro puro. Seu comprimento será de dois côvados e meio e sua largura de um côvado em meio. E farás dois querubins de ouro... nas extremidades do propiciatório.” Êxodo (25:17 e 18).A Mesa: “E farás uma mesa de madeira de Acácia... E a cobrirás de ouro puro, e lhe farás uma moldura de ouro ao redor...” Êxodo (25;23 e 24)O Candelabro: “E faze um candelabro de ouro puro... Seis braços devem sair de seus lados: três de um lado e três do outro (e um no meio) ... Sejam feitas sete lâmpadas que se acenderão para iluminar diante dele”. Êxodo (25:31 a 40). Esses são os principais componentes do tabernáculo que, na época de Moisés, era usado para representar o divino.Fica bastante claro para quem tiver um pouco de bom senso que TODAS AS RELIGIÕES POSSUEM OS SEUS SÍMBOLOS SAGRADOS E SEUS ALTARES. O muçulmano tem a lua crescente, o Judeu usa a estrela de seis pontas, o católico usa a cruz, os evangélicos também usam símbolos. Alguns usam uma pomba, outros usam um coração, outros usam uma chama, mas todos têm seus símbolos.Também todas as religiões possuem seus altares com seus objetos de culto. A Umbanda não é diferente das outras religiões neste sentido. Se há uma diferença está no fato de a Umbanda respeitar a TODAS as religiões como diferentes caminhos que levam AO MESMO DEUS. O umbandista de verdade vê a TODOS OS SERES HUMANOS COMO IGUAIS, sabe que ninguém é melhor ou pior apenas por seguir a religião A, B, ou C. Todo verdadeiro umbandista sabe que não é a religião que faz o ser humano, mas sim, é o ser humano que faz a religião. (retirado do jornal de Umbanda Sagrada)
10 - Existe uma "idade certa" para que a mediunidade seja desenvolvida?
R - Na realidade, em minha opinião pessoal, sendo o desenvolvimento mediúnico questão de grande seriedade, o individuo que apresenta as faculdades mediunicas somente deveria iniciar seu desenvolvuimento quando tivesse maturidade para compreender o compromisso que está assumindo , independente da idade e jamais deveria fazê-lo por imposição de quem quer que seja. As entidades de Umbanda certamente preferem ter seus mediuns realizando seus trabalho com boa vontade e amor e não apenas por imposição. Convém também que tal desenvolvimento seja não somente prático, mas acompanhado do estudo dos fundamentos da religião.
11 - São imprescindiveis o uso de roupas especiais para cada entidade?
R - Não, nas casas mais tradicionais somente é permitido o uniforme completo branco. No entanto, vários dirigentes vem aceitando a utilização de roupas especiais, principalmente nas sessões em que se trabalha com exus e pomba giras pois estas entidades possuem uma vibração ainda bastante ligada aos costumes que tinham em vida e os seus médiuns utilizam-se destas vestimentas no intuito de agradar-lhes, sem que ao uso das mesmas possa trazer prejuizo de qualquer espécie a doutrina da religião, salvo os exageros.

 
</h3> </font> </body> </html>